A GREVE DOS PROFESSORES DA BAHIA
No momento em que escrevo a greve dos professores do Estado
da Bahia tem mais de trinta dias e continua firme. A presidente Dilma Roussef
deu 22,22 % de aumento para os professores do país. Em alguns Estados, porém,
os governadores, incluindo alguns do PT, partido de Dilma, recusaram-se a
cumprir a Lei. O caso da Bahia é mais grave, pois o governador Wagner assinou
um documento junto ao sindicato se comprometendo a dar o aumento proposto por
Dilma, e logo em seguida resolveu descumprir o acordo. A greve foi inevitável
após este comportamento inexplicável de Wagner.
Para a maioria dos servidores públicos o comportamento de
Wagner tem sido de descaso com eles. Sua postura perante as greves é de
truculência e falta de diálogo; recusa-se às negociações e deixa o serviço
público sem funcionamento por muito tempo, prejudicando a população; o que dizer de alguém que assina
documentos e depois diz que não vai cumpri-los? A postura do governador lembra
o da ex-primeira ministra britânica Margareth Tatcher, que se notabilizou no
início dos anos 80 por endurecer com os sindicatos e suas greves no Reino
Unido.
Wagner argumenta que deu o aumento de 22,22% aos professores
que possuem ensino médio e 6% aos que possuem nível universitário. Segundo
dados da APLB, a se continuar esta linha de ação do governador, no ano que vem
os professores que possuem apenas o ensino médio ganharão mais do que os de
nível universitário e no ano seguinte ultrapassarão os que possuem
pós-graduação. É absurdo? Sim, claro, por isso os docentes estão em greve.
Wagner tem a seu lado o judiciário da Bahia, que servilmente
já declarou a ilegalidade da greve, a maioria da Assembleia Legislativa, que
servilmente já aprovou o “aumento” dado por ele, e tem uma tropa de choque de
militantes da base aliada, que em troca de carguinhos no Estado resolveram
rasgar toda a sua história (aqueles que a possuem, claro) e atacar de forma
covarde os professores. Em Paulo Afonso é preciso registrar que dois deputados
estaduais que tiveram muitos votos na cidade cairam em descrédito perante os
docentes: Paulo Rangel e Mário Negromonte Júnior votaram a favor do governador
Wagner.
O governo, no entanto, perderá a guerra. Este é o sentimento
da maioria dos professores. A direção sindical da APLB não pode ser derrotada
nesta greve, pois poderá ser destronada
pela oposição interna de esquerda que teve 70% dos votos em Salvador na
última eleição sindical. E esta oposição também quer a derrota de Wagner. Para
os professores em geral a greve é mais do que justa, pois está em jogo um direito
dado pela própria Dilma. Para a maioria deles não há como Wagner escapar desta
derrota.
O governador também não contava com a força das redes
sociais. A mídia baiana covardemente calou-se sobre a greve, mas nas redes
sociais da internet a militância dos professores se faz presente de forma
ostensiva. Por causa disso hoje são poucas as chances do candidato do PT à
prefeitura de Salvador. Todos os deputados que votaram contra os docentes estão
sofrendo campanhas de descrédito. “Bateram, vão levar também”, é o sentimento
da maioria.
Quem mais sofre com esta situação são os alunos e seus pais.
São vítimas do descaso de Wagner e de seus lacaios. Aos poucos estão vendo que
muitos discursos em favor da educação pública são farsas eleitoreiras e
pensarão melhor em quem votar nas próximas eleições.
Aristóteles Lima Santana, 22/05/2012.
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